Bimbo & Jhonas: sertanejo atual, porém sem perder a essência​​​​ ​

In MUSICA

Num momento em que muitos ainda enxergam um abismo entre o sertanejo universitário e o tradicional, em termos de proposta musical e conteúdo das letras, surge uma dupla que tem sido um importante elo de ligação entre os dois estilos: Bimbo & Jhonas. Se o nome, por si só, chama a atenção e desperta a curiosidade em quem ainda não teve oportunidade de conhecê-los, a evidente qualidade se sobrepõe já na primeira audição do diferenciado dueto. A sintonia entre ambos é indiscutível. E não é à toa essa característica.

Primos, nascidos em Divinolândia, cidade do interior paulista, os cantores arriscavam um rascunho da parceria desde meninos, interpretando os clássicos de Milionário & José Rico, Chitãozinho & Xororó, Matogrosso & Mathias, Leandro & Leonardo, João Mineiro & Marciano, Chrystian & Ralf, Zezé di Camargo & Luciano e Durval & Davi. Nomes consagrados que teriam clara influência na carreira que viria mais tarde. Foram tomando gosto pela “brincadeira”, chegando a formar uma banda, que ensaiava religiosamente todos os domingos, à espera de uma oportunidade para alçar voos maiores. Batalhadores por natureza, era clara a vontade de vencer. Bimbo, o mais velho, dava duro durante a semana na roça e vendia mexerica, laranja e limão nas ruas da cidade. Mais tarde passou a trabalhar com o pai numa beneficiadora de batatas e cebolas. A experiência com a lida do campo e o trato direto com os animais são lições que guarda com carinho. Jhonas ensaiava as primeiras composições autorais e passava boa parte do tempo ganhando intimidade com dois companheiros inseparáveis: a viola caipira e o violão.

Tal qual o roteiro de um filme de ficção, quis o destino que a história de ambos envolvesse esperança, separação e reencontro antes do esperado final feliz. Chegava o momento de traçar rotas distintas, mesmo que temporariamente. Enquanto Bimbo – apelido carinhoso que o primeira voz Rodrigo Cesar de Almeida ganhou na infância, em referência ao icônico personagem do saudoso Paulo Autran na primeira versão da novela Guerra dos Sexos, da Rede Globo – ingressava na Faculdade de Administração de Empresas, em São João da Boa Vista (SP), Jonas Fernando Sanches, ou simplesmente Jhonas,  buscava o sonho de cantar profissionalmente com a mudança para a capital paulista, onde chegou a gravar um trabalho solo. Os encontros entre os primos passariam a acontecer esporadicamente, em reuniões de família ou festas de amigos. É claro que nessas datas não faltava cantoria, e onde havia cantoria era obrigatória a apresentação dos dois, com seu aplaudido dueto.

O tempo seria o responsável pela união tão pedida pelos amigos e profetizada desde a infância. Jhonas voltou à cidade natal, de forma definitiva, ao passo que Bimbo se formou administrador. A fagulha estava lançada para o nascimento de Bimbo & Jhonas, em caráter profissional. O show de lançamento aconteceu no final de 2016, uma apresentação de gala que “parou” Divinolândia e teve toda a renda revertida para o Hospital de Câncer de Barretos e para a construção de uma casa de apoio, também em Barretos (SP).

No ano seguinte, gravaram o primeiro trabalho, um EP com cinco faixas inéditas, cuja primeira música escolhida para divulgação, “Modão de 90” (Carlos Pitty/Jonas Sanches/Thaisa Mendes), caiu rapidamente no gosto do público, se encaixando perfeitamente no perfil da dupla, uma referência óbvia às preferências musicais dos primos. O sucesso foi instantâneo, e o hit, com produção musical de Joe Júnior, ganhou um videoclipe, que levou a assinatura de Fabricio Almeida, da Mind Films. A atual canção de trabalho, “Contragolpe” (Bimbo/Jonas Sanches), outra faixa do EP, seguiu o mesmo caminho e, com estilo dançante, já é muito executada em diversas rádios de todo o estado de São Paulo. A música, autoral, está entre as 20 mais ouvidas na região, segundo apontamentos da Crowley, empresa multinacional especializada em monitoração de rádio e referência no setor.

O primeiro trabalho mostrou a que veio a dupla, com uma proposta de apresentação mais eclética, porém com ênfase no romantismo, uma das características marcantes dos artistas, realçado em faixas como “Sintonia” (Bimbo/Jonas Sanches) e “Lugarzinho” (J.V Martins/Jonas Sanches). Já em “Meu Sertão” (Carlos Pitty/J.V Martins/Jonas Sanches), não é raro fechar os olhos, sentir o cheiro da terra e simular uma deliciosa viagem pelas belezas do interior, bandeira que Bimbo & Jhonas, criados na roça, fazem questão de defender em seu dia a dia, assim como em cada uma de suas apresentações pelo país.

No momento, eles trabalham na produção de um novo desafio, um projeto inovador, um DVD em formato único, que surpreenderá a todo o segmento sertanejo. Com participações pra lá de especiais e um repertório de emocionar até os corações menos sensíveis, a dupla tem participado de todos os detalhes da concepção e realização, que contará com inéditas e releituras de peso.

Com um show envolvente, um espetáculo de luzes, sons e cores, em que a energia é visível no palco, a dupla vem conseguindo a cada dia uma maior visibilidade e respeito perante a crítica especializada e seus inúmeros fãs. O timbre diferenciado de Bimbo, somado a uma segunda voz perfeita de Jhonas, além de uma equipe afinada e um amor incontestável dedicado àquilo que se propõem a fazer, são elementos indispensáveis na formação do quebra-cabeças que explica a ascensão impressionante dos meninos de Divinolândia. O estilo próprio, a convicção com a qual direcionam sua trajetória, a reverência aos ídolos eternos e o talento indiscutível da dupla são os alicerces de uma carreira sólida e, presumivelmente, duradoura.

Cientes de que é apenas o começo de uma longa jornada, Bimbo & Jhonas mantém a mesma atitude e persistência daqueles dois meninos que se reuniam aos domingos com o distante sonho de um dia se realizarem através da música. Cada vez que sobem ao palco, é como se abrissem a velha garagem para mais um ensaio. Uma emoção e expectativa em comum que ecoa e os transporta ao passado, inevitavelmente. A diferença é que eles cresceram (no aspecto, talvez) e o que era um anseio começa a se tornar realidade.  Por dentro, porém, ainda são os mesmos meninos, com aquele conhecido brilho no olhar, o largo sorriso na face, o desejo incessante de vencer, os corações batendo no mesmo compasso, tendo como principal combustível a sua paixão declarada: a música sertaneja. 

Carlos Guerra (Março/2018) – Assessoria de Comunicação

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